As máquinas CNC já registam tudo. Alguém está a ler esses dados?
As CNC de uma empresa de moldes registam tempos, paragens e utilização que ninguém lê. Porque é que esses dados valem e como transformá-los em decisões.
Uma empresa de moldes tem um chão de fábrica cheio de máquinas caras: centros de maquinação, fresadoras, máquinas de eletroerosão, retificadoras. Estas máquinas são computadores com ferramentas, e como computadores, registam muita coisa: quanto tempo trabalharam, quando pararam e porquê, que programas correram, quanto estiveram em vazio. A maior parte destes dados nunca é lida. Ficam no comando da máquina, ou perdem-se ao fim do turno, enquanto as decisões sobre produtividade e investimento se tomam por intuição.
É um desperdício silencioso e específico deste setor: a informação já existe, foi paga junto com a máquina, e não se usa. Enquanto se discute se é preciso mais uma máquina ou se a produção anda bem, os dados que responderiam a essas perguntas estão a ser gerados a cada segundo e a ser ignorados.
O que as CNC já sabem e ninguém aproveita
As máquinas de comando numérico de uma empresa de moldes registam, de forma nativa ou facilmente acessível, coisas que valem ouro para quem gere a produção:
- Tempo de trabalho efetivo. Quanto tempo a máquina esteve mesmo a maquinar, face ao tempo em que esteve ligada. É a base da utilização real.
- Paragens e as suas causas. Quando a máquina parou, por quanto tempo, e muitas vezes porquê. É o que revela onde se perde capacidade.
- Tempo em vazio. Máquina ligada, programa não a correr. É desperdício puro, e costuma ser maior do que se pensa.
- Que programas e peças correram. O que permite ligar o tempo de máquina ao molde em produção, e assim ao custo real.
Cada um destes dados responde a uma pergunta que as empresas de moldes fazem constantemente: as máquinas estão bem aproveitadas? Onde se perde tempo? Preciso mesmo de investir em capacidade nova?
Porque é que estes dados não são usados
Há duas razões que se somam.
A primeira: os dados estão presos na máquina. Cada CNC guarda a sua informação no seu comando, no seu formato. Sem alguém que os extraia e junte, ficam ilhas de dados que ninguém consulta. Ler o comando de cada máquina, uma a uma, no fim do dia, é impraticável, por isso não se faz.
A segunda: falta o hábito e a ferramenta para os transformar em informação. Mesmo quando os dados são acessíveis, é preciso juntá-los, cruzá-los com a produção e apresentá-los de forma que uma decisão saia deles. Sem esse passo, os dados em bruto não dizem nada a ninguém.
O resultado é que se discute a produtividade das máquinas com opiniões, quando os factos estão a ser registados e desperdiçados.
O que muda quando os dados das CNC se leem
Ligar as máquinas a um sítio que recolhe e organiza o que elas já registam muda a conversa sobre a produção de intuição para facto:
- A utilização real torna-se conhecida. Descobre-se que percentagem do tempo as máquinas estão mesmo a maquinar, muitas vezes menor do que se assume. Cada ponto de utilização recuperado é capacidade sem investir.
- O tempo em vazio fica visível. Máquinas ligadas sem produzir aparecem, e podem ser atacadas. É desperdício que só se elimina quando se vê.
- A decisão de investir ganha base. A pergunta “preciso de mais uma máquina?” passa a responder-se com a utilização real das que já existem, não com a sensação de que andam sempre cheias.
- O tempo de máquina liga-se ao custo do molde. Saber quanto tempo de máquina cada molde consumiu alimenta o custeio real do molde, fechando o ciclo entre produção e margem.
É a lógica de tudo o que fazemos: não instalar sensores novos, mas ler e organizar os dados que os equipamentos já geram e que estão a ser desperdiçados.
Por onde começar
- Veja o que cada máquina já regista. Antes de qualquer investimento, faça o inventário do que os comandos das suas CNC já guardam. Costuma ser mais do que se pensa.
- Estime a utilização real de uma máquina. Escolha um centro de maquinação crítico e descubra que percentagem do tempo esteve mesmo a maquinar. O número costuma surpreender.
- Procure o tempo em vazio. Máquina ligada sem produzir é desperdício direto. Identificá-lo é o primeiro ganho fácil.
- Ligue os dados à produção. Cruzar o tempo de máquina com o molde que estava a correr transforma dados técnicos em informação de custo e de prazo.
- Use a utilização real nas decisões de investimento. Antes de comprar capacidade, confirme quanto da que já tem está a ser aproveitada.
Perguntas frequentes
Que dados registam as máquinas CNC de uma empresa de moldes?
Registam tempo de trabalho efetivo, paragens e as suas causas, tempo em vazio, e que programas e peças correram. São dados nativos ou facilmente acessíveis que respondem a perguntas centrais da gestão: as máquinas estão bem aproveitadas, onde se perde tempo, e se é mesmo preciso investir em mais capacidade.
Porque é que estes dados não são usados?
Por duas razões: estão presos no comando de cada máquina, em formatos próprios, e ler cada um manualmente é impraticável; e falta o hábito e a ferramenta para os juntar, cruzar com a produção e transformar em informação de que saia uma decisão. Assim, a produtividade discute-se por intuição enquanto os factos são registados e desperdiçados.
Preciso de instalar sensores novos nas máquinas?
Na maioria dos casos, não. As máquinas CNC já registam o essencial no próprio comando. O trabalho é extrair e organizar o que elas já geram, ligando-o num sítio único, em vez de deixar os dados presos em cada equipamento. É usar o que já existe, não acrescentar hardware.
Como é que os dados das CNC ajudam a decidir sobre investimento?
Ao revelar a utilização real das máquinas que já existem. A pergunta “preciso de mais uma máquina?” costuma responder-se com a sensação de que andam sempre cheias, quando a utilização real é menor. Conhecer essa percentagem permite recuperar capacidade sem investir, e decidir sobre compras com base em factos, não em impressões.
Se as suas máquinas registam dados que ninguém lê, uma conversa de 30 minutos chega para perceber o que já pode aproveitar. Veja também como trabalhamos.
Fontes
- Indústria de moldes portuguesa: novos desafios — InterMETAL.